.:História não acabada
Porque todas as noites, antes de dormir, sua mãe lhe contava histórias, foi que Cristóvão pegou gosto pela coisa. As idas ao cinema, ao teatro, mais os livros e outros lhe encheram de causos o cervelo, eram-lhe grande atração, senfuga coisa: não só matos, mas gentes e bichos, prédios, abstrações, volupiosas, tudo humanizado, povoações: lia méis, leite puro, sacros poréns, fatos d'impecável costura que os tolos não viam: guerras, noites, senhoras, senhores, senões: festa, se diz - e peste. Não tardou que viu e era tudo ficções (só se faziam ficções). e então havia uma pessoa morta durante um assalto (ficções), capim grosso crescendo no prado montanhas coisas que os dedos não podem alcançar, casais brigando no parque, carros correndodevorando os asfaltos fervidos, postes prédios templos paixões a pobreza de espírito $ ficções ficções tudo se figurava assim, e era tudo símbolos imagens metáforas alegorias de algo maior (eu sou cético - eu sou cético; não me mostre o Divino agora) e o mundo que lhe chegava era legível como um ilegível poema (me recheia dos absurdos, eu não quero ser mais que um pote de absurdos, um biscoito de absurdos, oh mãe, há os que oram mas nas minhas orações é que eu encontro o meu conforto ~ onde eu não peço, peçam-me elas e eu me darei, eu todo letras invenção, e se tu o chamas deus eu o chamo Autor e, ciente dos meus cósmicos poderes, apavoro toda uma espécie com a minha Mão de forças que não se acabam. Os cientistas que brinquem com suas ovelhas: eu os mato a todos, a mim mesmo se quiser, criador da vida, Senhor de todos os meus erros.
quinta-feira, setembro 30, 2004
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