É certo que cada um toma para si o posto de mais sofrido ser vivente - e não abre mão desse prestígio. Aqueles dois, contudo, levaram a questão mais adiante: não só admitiram, como discutiram, brigaram mesmo, abertamente, ninguém é mais só do que eu, que eu!
Um terceiro, vendo tudo aquilo, achou graça; e comentou com o vira-lata que levava na coleira: "Vê, Fido? Que diacho de solidão é essa, que vem com companhia pra brigar?" Fido esticava a coleira, o focinho rente ao chão, concentrado na ávida busca por cheiro de urina.
"É preciso que cada uma [dar personagens do drama] surja da solidão e, numa solidão sem remédio, no meio dos outros solitários, corra para a sua última e trágica solidão."
LUCÁKS, Georg. Teoria do romance. Trad. Alfredo Margarido. Lisboa: Presença, s.d. p. 47.
Nenhum comentário:
Postar um comentário