A carta, mais do que qualquer outro tipo de texto, carrega uma nostalgia intrínseca. O destinatário é o mais concreto e ausente dos leitores. A carta é sempre um texto escrito na ânsia pelo outro.
A distância que cala: o intervalo da resposta. Escrever cartas é como rezar, um falar sozinho falando com alguém e, enquanto esse alguém não responde, calar. As cartas são lampejos, pontos distantes da linha imaginária que une os interlocutores, desejos expressos e selados, carências assumidas em tom de confidência, confissões inacabadas.
A carta é o mais humano dos gêneros textuais.
terça-feira, dezembro 20, 2005
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Um comentário:
Penso que o senhor está absolutamente correto, e seria interessante pensar o que ocorrerá em uma sociedade em que não mais se escrevam cartas, em que a comunicação é instantânea.
Aliás, uma beleza esse "cronópios", li um texto notável por lá: http://www.cronopios.com.br/site/colunistas.asp?id_usuario=24
beijao
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