quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Tendo acabado de ler Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres

Um amigo uma vez me mandou um pedaço do Para não esquecer e depois escreveu: auto-ajuda de altíssima qualidade. E Clarice tem muita coisa que é mais ou menos isso. De certo modo é o que os maledetos editores fazem dela (não suporto o uso desavergonhado daquele "Renda-se como eu me rendi, não se precoupe em entender, viver ultrapassa..." em orelhas de livro e páginas de citações da revista Caras). Mas os editores, nesse caso, não são os únicos culpados.

Uma Aprendizagem me pareceu um porre, à primeira vista. Até eu perceber que é desses livros que não querem ser levados ao pé-da-letra. Alguns querem, mas esse não.

Uma nota de CL no começo diz: "Esse livro se pediu uma liberdade maior que tive medo de dar". Parece, mesmo: uma seriedade que não deve ser levada a sério; um aprendizado que não tem nada pra ensinar - tá mais pra um jogo em que até as apostas são de mentirinha.

Uma liberdade encantadora, enfim.





"Estava caindo numa tristeza sem dor. Não era mau. Fazia parte, com certeza. No dia seguinte provavelmente teria alguma alegria, também sem grandes êxtases, só um pouco de alegria, e isso também não era mau.

Era assim que ela tentava compactuar com a mediocridade de viver."

2 comentários:

JSMJ disse...

bom que você lembrou que os editores não são os únicos culpados. mas eu diria que são os principais. :-P

bernardo rb disse...

os editores interferem muito pouco no texto dela, se você pensar...

Caio F. Abreu pega um pouco essa coisa do leitor c/ clarice: "Era uma ousadia ler Clarice naquele tempo, ninguém entendia direito, diziam que era difícil. Eu também achava, mas gostava. Eu gostava dela. Tinha um jeito de ver por trás, por dentro, que eu achava que também tinha. Que só eu tinha."